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Campeã de Enduro,Késsia Pires fala da participação das mulheres no esporte 05/07/2018

Escrito em 11/07/2018
CBM

Faltam apenas quatro etapas para saber quem são os campeões brasileiros de Enduro de Regularidade. Nos dias 20, 21 e 22 de julho a cidade de Viana (ES) receberá o encerramento da temporada 2018 da competição.

Uma das novidades deste ano foi a inserção da categoria feminina. Ainda de forma tímida, as mulheres marcaram presença e mostraram bom desempenho na competição. Com o título de campeã brasileira de Enduro já garantido, Késsia Pires é uma das poucas mulheres que pilotam por esporte. “A participação tem aumentado bastante. Hoje é possível encontrar mulheres em todas as modalidades do motociclismo. Mas vejo que existe um número muito grande de mulheres que andam de moto apenas por diversão, e são poucas que competem em alguma modalidade.” –  comentou a pilota.



Apesar do motociclismo ainda ser um universo masculino pode-se perceber o crescimento na participação das mulheres no esporte. Durante todo o ano de 2017 foram 163 filiadas à Confederação Brasileira de Motociclismo, um cenário que promete ser bem diferente de 2018. Até o momento aproximadamente 150 mulheres já estão filiadas, mas o número deve aumentar nos próximos meses com o início de competições das modalidades off-road.

Para Késsia a iniciativa da CBM em inserir uma categoria específica para pilotas é uma tentativa de fortalecer a categoria e motivar outras mulheres a participar do esporte.

Estou muito feliz por poder competir dentro da nossa categoria e no final do campeonato ter o título reconhecido na CBM. Mas no Enduro de Regularidade, infelizmente, a participação feminina ainda é bem reduzida. São poucas as praticantes dessa modalidade e estão espalhadas em todo o Brasil. Unir todas em uma prova é algo complicado, pois as diferentes fases da vida, como a maternidade e profissão, fazem com que ocorram pausas no esporte. Por isso que nem sempre é possível inserir a categoria feminina. Espero que consigamos incentivar outras mulheres e que esse seja o primeiro ano de muitos desta categoria.

A primeira campeã da categoria feminina de Enduro que está acostumada a correr entre os homens, espera ser um referência e um apoio às outras atletas.  “Competir entre os homens me torna mais persistente. Tenho consciência de que não possuo a habilidade de pilotar como alguns homens, mas tenho muita garra e determinação. Mais do que buscar um título, almejo proporcionar um bom exemplo a ser seguido por outras mulheres, incentivando-as a superar os desafios e o receio de mostrarem que são capazes de serem excelentes pilotas.” – comentou Késsia.

 



O Enduro é uma modalidade para mulheres movidas a desafio, já que se exige técnica e resistência.  “O mais desafiante é a limitação física das mulheres. Em algumas situações não temos força o suficiente para levantar sozinhas a moto, ou retirá-la de um buraco ou enrosco. E evitar esse tipo de situação é fundamental para não nos desgastarmos ainda mais durante uma prova. Então temos que pilotar com o dobro de concentração o tempo todo.” – explicou a a atual campeã de Enduro de Regularidade.



No próximo dia 22 de julho Késsia Pires vai buscar o título na cidade de Viana e espera que as mulheres estejam presentes também fora das pistas para apoiar as atletas e incentivar o esporte.

“O público feminino é essencial para a evolução do motociclismo entre as mulheres. Pois toda mulher que pratica o motociclismo hoje é porque acompanhava alguém da família que já praticava, ou viu outra mulher pilotando e se inspirou. Hoje os grupos formados por mulheres têm aumentado cada vez mais, pois a admiração se espalha e a vontade de iniciar no esporte tem sido frequente por parte das mulheres.” – finalizou a pilota.

Uma grande festa aguarda os campeões, onde será feito a entrega das premiações e estouro de champanhe.